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quarta-feira, 15 de maio de 2013


"De vez em quando a melhor companhia é aquela lágrima quente que surge no olho, vai descendo lentamente, passa pela boca e chega até o pescoço."

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O AMOR É UMA SURPRESA BOA


Fui uma menina que acreditou em muitas coisas. Papai Noel, Homem do Saco, Coelhinho da Páscoa e outros tantos personagens. Mas eu gostava mesmo eram de histórias com finais felizes. Não tem jeito: a gente quer que a vida tenha um pouco mais de cor.

É natural que depois de um certo tempo as dúvidas comecem a aparecer. Será que o tal príncipe existe? Será que o final vai ser mesmo feliz? O que será, que será? Por favor, não me condene: a gente precisa estar com o coração preenchido para ser feliz. Agora você olha no fundo dos meus olhos castanhos e pergunta se eu acho que uma mulher precisa de um homem para ser feliz. Te respondo que uma mulher precisa de amor para ser inteira.

Amor pelo que faz. Amor pelo espelho. Amor pela família. Amor pelos amigos. Amor pelo bichinho de estimação. Amor pelo outro. Amor de volta. Porque dar amor é bom. Mas receber amor também é melhor ainda. Quem não gosta? Desculpa, mas meu coração não entende muito bem a solidão. Gosto de abraço de urso, beijo estalado, carinho no cabelo e sorriso bem largo, espaçoso, verdadeiro.

Uma mulher não precisa necessariamente de um homem para ser feliz. Mas ela precisa de amor para ser completa. Tem gente que vive bem cercado de bichos. Tem gente que vive bem cercado de livros. Tem gente que vive bem cercado de sapatos. Eu vivo bem cercada de amor. Antes, bem antes, eu vivia bem com minha família, meus amigos, minhas palavras, minha labrador preta, minha parede rosa. E faltava alguma coisa. Faltava alguém para dormir abraçadinho. Faltava um colo para sossegar a alma. Faltava alguém pra rir um riso intenso. Faltava alguém que completasse o que eu vou falar. Faltava alguém que soubesse que detesto pimentão. Faltava alguém que deixasse sempre um restinho de café na xícara. Faltava alguém pra reclamar que o ar-condicionado tá muito frio. Faltava alguém pra me dizer boa-noite-meu-amor. Sou romântica. E vou morrer assim. Hoje sou muito mais eu. Hoje descobri que sou muito mais feliz agora. Não que não fosse antes. Mas antes eu nem sabia o que era um sentimento de verdade.

Não aguento mulher que só fala em dieta, celebridade, roupa, dinheiro e mal de homem. O mundo é maior que um closet cheio de sapatos. Maior que a Dieta dos Pontos. Maior que o milhão de reais que a Joana Machado ganhou. Maior. Gosto das coisas de dentro. O que está por fora muda a cada estação. A essência, não. Muita gente não tem paciência de tentar. Fogem no primeiro problema. Desistem no primeiro empecilho. Esquecem da essência.

Se alguma coisa não deu certo pra você, não jogue a culpa no amor. Ele não tem nada a ver com isso. As coisas dão certo até onde têm que dar. Se parou de funcionar, se o amor morreu sufocado ou afogado, se não tem mais jeito, o negócio é viver o luto, curtir a fossa e cuidar da vida. Fazer aula de italiano, ler vários livros, assistir filmes, jogar charme para o vizinho do andar de cima. Sem ofender o amor e os apaixonados. Porque um dia você vai amar de novo. E, desculpa o meu lado bobo, mas um dia você vai amar de novo o amor da sua vida. Envelhecer junto. Andar de bengala na praça em um domingo ensolarado e dizer um-dia-eu-ri-da-cara-do-amor.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011


A (FALSA) SANTA

Tenho horror de quem não se respeita. Independente do sexo, da religião, da cor, do sorvete preferido, do tom de voz. Acho que a gente tem a obrigação de respeitar a própria imagem, o próprio corpo, a própria alma. Respeitar o amor-próprio, pois ele precisa do maior cuidado.

Conheço pessoas de todos os tipos. Sei reconhecer direitinho quando uma mulher precisa se auto-afirmar a todo instante. Chega a ser patético. Tem mulher que dá em cima de tudo que se mova e tenha pau (desculpem a finesse). Não estão nem aí se o cara usa uma aliança ou tem namorada. Não estão nem aí se usam aliança ou se são comprometidas. Não estão nem aí para nada. Gostam apenas de provocar, de fingir uma ingenuidade, de forçar uma pureza.

Já fui solteira. Já curti muito a vida. Já aproveitei bastante. Já fiquei com quem tive vontade. Já fiz e aconteci. Mas eu era solteira, não devia nada pra ninguém. Nunca me traí, muito menos dei motivo para algum lado meu se constranger. Sempre respeitei minhas escolhas, meu corpo, a educação que tive. Já aprontei, sim. Já bebi muito, já dei show, já tive ressaca moral. Já fiz tudo que um adolescente faz, já fiz tudo que uma mulher solteira faz. Sempre com prudência, afinal, o mundo é bem redondo e o que a gente faz hoje é visto e lembrado amanhã. Acho que a gente deve se preocupar com a nossa imagem, não pelos outros, mas pra dormir tranquila.

Não gosto de quem se faz de santa, de prestativa, de solícita, de legal. Não gosto de quem fala miando, se finge de sonsa, faz caras e bocas. Não gosto de gente artificial, que tem duas caras, dois jeitos, dois comportamentos. Sou a favor da transparência, de gente de verdade, sem retoques, sem artifícios. Tenho pavor de mulher fingida. Que se finge de morta, mas no fundo rebola o tempo todo, faz cara de atriz pornô pra ser notada e depois diz que ah-é-meu-jeito-sou-assim. Tenho pavor de mulher que se insinua o tempo inteiro e depois diz não-entendo-porque-todo-mundo-olha-pra-mim. Pavor.

Tem mulher que perde a linha. Com esse tipo, perco o rebolado. Quase esqueço a classe em casa. É que gente de mentira me tira do sério. Além disso, tenho horror de biscate. Acho que no fundo são todas perdidas, infelizes, coitadas, mal amadas. Precisam de atenção 24 horas. E esquecem que pra gente ter atenção de verdade precisa, em primeiro lugar, ser verdadeira. Com a gente mesma.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Começando de Novo

Não sei direito o que esperar do futuro. Talvez seja melhor nem esperar nada, não é mesmo? Dizem que o bom é a gente viver um dia de cada vez sem pensar no depois, no que virá, na continuação, na parte dois, três, quatro, cinco, seis...

Eu, ansiosa de nascença e carimbo na testa, quero tudo para ontem, para já. Assisto um filme pensando no final, começo um livro querendo saber qual é o desfecho. Antes, sempre lia as últimas páginas dos livros, só para dar aquela espiada e saber o fim. Quando era pequena, esperava todo mundo dormir e abria cuidadosamente os presentes de Natal, não me aguentava até o dia 25 de dezembro.

Eu me trato, meu psiquiatra é ótimo e diz que tá tudo bem, que é normal, que sou mulher (isso explica muita coisa, certo?), que eu preciso ficar calma e serena. Mas como ficar calma? Não aprendi isso ainda (e será que um dia consigo?). Sou pontual, naturalmente tensa, nunca consigo relaxar completamente, por isso muitas vezes sinto minhas costas doloridas. Vivo sem tranquilidade, alguma coisa sempre me preocupa, deve ser por isso que o sono muitas vezes não bate na porta da fronha do meu travesseiro.

Preciso aprender a ser mais egoísta, mais eu, pensar mais em mim. O egoísmo não é ruim, não. Ele, bem dosado, é saudável e faz bem. Preciso aprender a ser mais individualista, só para não me frustrar tanto. Vivo de uma forma intensa e que muitas vezes me dói. Não posso cobrar essa intensidade toda de quem me rodeia. Penso em mim por último, coloco as prioridades do outro na minha frente.

Não sei se amo do jeito certo. Mas existe uma forma certa? No amor, cada um tem seu jeito. A gente aceita se quiser. Decidi algumas coisas, não sei se são boas, acho que o futuro vai dizer. A hora é agora, tenho que aproveitar todas essas mudanças internas borbulhando. A gente não pode se anular e colocar o outro em primeiro lugar. Tem gente que não sabe amar. E muitos outros não entendem a nossa forma de amar. Ao invés de tentar explicar é melhor mudar tudo de vez.

Vamos rasgar os planos, apagar os projetos de futuro, soltar os ombros, respirar fundo e começar do zero. Sem esperar nada. Sem expectativas, sem historinha bonitinha, sem diminutivos, sem intensidades, sem nada. Apenas com a coragem, um pouco de egoísmo e algum individualismo para fazer companhia. Vou me esforçar, prometo.

domingo, 13 de março de 2011

Para Eles

Escrevo para você, que acha que entende tudo de sexo. Você pensa que sabe lidar com todas as mulheres. Pois eu digo: não sabe, não, seu bobalhão. Pensa que é esperto, só por que tem anos de revistas de mulheres peladas nas costas, multiplicados por anos de videozinhos pornográficos ,somados a anos de trepadas de uma noite.

Para começar, esqueça aquele papo de que mulher adora palavrinha de amor antes de transar. Para levar uma mulher para cama você não precisa ser romântico. É claro que mulheres amam pequenas delicadezas, velas aromáticas, massagens com óleos e flores, mas toda mulher adora uma palavra firme, um sussurro, uma baixaria dita baixinho no ouvido, pegada forte e segurança. Homem tem que ser homem. Entende essa frase? Não somos o sexo frágil, não. E queremos – de verdade - que vocês mostrem o quanto são fortes. Não é para dar soco, tapa e chute, sexo não é luta livre. Mas aposte numa boa puxada de cabelo e total virilidade.

A socióloga Camille Paglia disse uma frase que acho ótima (em resposta a todo esse movimento para transformar os homens em pessoas cheias de nhéin nhéin nhéin): “Eu diria para os homens: fiquem de pau duro! E para as mulheres: lidem com isso!”. Toda mulher quer um pau duro. Duro, não, beeeeeeem duro. O pau duro para a mulher é um troféu, uma prova de que ela é poderosa, excita o homem, enlouquece o cara que está com ela, é a prova de que naquele momento é a única criatura capaz de fazer com que o pau fique duro. Bem duro.

Como eu já falei outras vezes, as mulheres querem ser únicas até o fim. Somos criadas para isso. Crescemos ouvindo a Cinderela, que tinha o príncipe. E é claro que a Cinderela encantou o príncipe. Somos criadas para encantar, somos feitas para atrair o sexo oposto. Somos bichos, queremos um pau duro. Queremos deitar e rolar com o pau duro. Queremos nos aproveitar do pau duro. Queremos mostrar para o mundo todo que somos capazes de deixar um cara aos nossos pés. E de pau duro. Insisto no pau duro, pois ele é a representação mais do que clara de que somos realmente irresistíveis.

Achou distante essas afirmações? Qual a primeira pergunta que uma mulher faz quando você não transa mais com ela? Você está me traindo? Está comendo outra pessoa? Perdeu o tesão por mim? Perdeu o interesse? NÃO ME AMA MAIS? É exatamente isso: se o cara não manifesta mais nenhum tipo de tesão, a mulher pensa que o amor acabou. Por quê? Porque queremos um homem sempre de pau duro. O pau duro representa, além de vontade, desejo, amor. Sabe por quê? Porque se vocês dois se beijam, se abraçam, riem, se divertem, dançam juntos, contam segredos, andam de mãos dadas, mas não trepam, a mulher nunca pensa que é uma fase (sim, temos fases. Uma hora transamos mais, em outras menos), e sim QUE VOCÊ NÃO AMA, QUE NÃO QUER MAIS, QUE ACHOU OUTRA. Sempre relacionamos uma coisa com a outra. Mesmo que as duas coisas nunca tenham se cruzado na vida.

Uma mulher quer ser admirada. Notada. Vista. Despida. Com os olhos, com as palavras, com a boca, com os dedos, com tudo. Muito elogio, muita admiração, muito olho no olho, muita sacanagem no ouvido. É isso que uma mulher quer. A gente não quer só tirar a roupa e partir para o sexo. A gente quer carícia, beijo no pescoço, baixaria, puxada de cabelo, ousadia, proposta indecente. É isso: indecência. Amor e indecência. Não necessariamente nessa ordem.

Você, que acha que entende tudo de sexo, preste bem atenção: você não sabe nada. Homens e mulheres são diferentes e todos nós sabemos disso. Homens são mais visuais. Mulheres se excitam com palavras, mãos, gestos e um fantástico sexo oral. A maior parte dos homens se acha mestre nessa arte, mas, cof, cof, desculpem, vocês não sabem de nada. Neste caso, a pressa é INIMIGA MORTAL da perfeição. A força não é bem-vinda. Tenha jeito. Muito jeito. Treine com um pote de iogurte, se for o caso. Mas treine. Treine muito. Um bom sexo oral desarma qualquer mulher. Ficamos completamente desnudas. Em todos os sentidos. E aí, meu amigo, podemos realizar todas, todinhas as suas fantasias.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O QUE EU NÃO ACEITO

"Quando alguém é meu amigo eu faço o impossível para ver a pessoa bem. Se eu gosto tomo as dores, embarco em indiadas, dou um jeito de fazer com que tudo fique numa boa, nem que seja ouvindo e dando o ombro. Mas, por favor, nunca minta para mim. Quem mente perde completamente a minha confiança.
Procuro ser uma pessoa justa. E, confesso, meu lado bonzinho fica encostado no lado babaca. Em outras palavras: às vezes sou burra ao invés de boa. Se tem uma coisa que detesto é me sentir enrolada. Me preocupo a fundo com os outros, por isso não curto pequenas mentiras e desonestidade. Pena que tem gente que não enxerga isso.
Muitos se acham donos da verdade, dizem que fazem e acontecem, aparentam ser uma coisa que não são. Tem gente que adora inventar a vida, contar vantagem e semi-lorotas-brabas, florear a realidade e brincar de autor de novela. Tem coisa que é surreal. Tem coisa que é irreal. Tem coisa que foge completamente dos padrões normais. Agora você me pergunta: existe essa coisa de normalidade? Claro que não. Minha vida muitas vezes é uma novela mexicana, em outras tantas vira caso de política. Mas eu não minto, não enrolo, não me faço de louca e não tomo ácido.
Não sei fingir. Abraço minhas vontades, mesmo que a minha cara fique roxa de tanto apanhar. Cumpro minhas promessas, mesmo que me doa. Não brinco com os outros para me distrair, tampouco dou uma de boa samaritana para depois me esconder atrás da moita. Isso não. Por isso, digo e repito: gosto de gente de verdade. Se você é assim, por favor, senta aqui e vamos tomar uma birita."

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sobre as formas de beijar



Você sabia que a palavra beijo vem do latim basium? Existem diversas formas de beijar. Tem os beijos do Kama Sutra, beijo musical, beijo esquimó, beijo Conde Drácula, beijo metralhadora, beijo escondidinho, beijo roda gigante e outros tantos. Nomes engraçados e diferentes é que não faltam.

Dizem que beijos queimam calorias, preparam o corpo para o sexo, liberam endorfina, movimentam diversos músculos, melhoram a oxigenação do sangue. Já li que beijo previne cáries, pois estimula a produção de saliva e mantém os dentes limpos, ajudando a manter a acidez da boca. Beijar, no fim das contas, é um santo remédio.

Beijos têm gosto de início. A primeira coisa que aproxima as pessoas é o olhar, a segunda é o toque, que vem acompanhado do beijo. Não importa o tipo de beijo, o que vale é estar ao lado de quem você gosta. Pode ser um paquera, namorado, ficante, pode ser o amor da sua vida ou a sua paixão de uma noite. Beijar faz bem, deixa o corpo leve, coloca um sorriso estampado na cara.

Tem o beijo carinhoso. Na mão, na testa, na bochecha. Tem o beijo amoroso, com língua e cafuné. Tem o beijo tarado, no pescoço. Tem o beijo safado, na boca, com direito a escorregada de mão. Tem o beijo no cinema, beijo na cama, beijo no banho, beijo na rua, beijo no carro, beijo roubado, beijo pedido, beijo de bom dia, beijo de despedida, beijo de reconciliação.

Todo mundo lembra do primeiro beijo. Do frio na barriga que embrulhava o estômago, misto de ansiedade e medo. Da vergonha de não saber o que fazer com a língua. Da novidade do contato de duas bocas. Da aflição das descobertas. Da falta de jeito. Do gosto da saliva do outro. Do perfume na gola da camiseta.

Beijar se aprende beijando. É um exercício. Um esporte. Uma demonstração de amor, tesão, afeto, carinho. Beijar é bom. Ser beijado de surpresa é melhor ainda. Por isso, beije muito quem você ama. E se você não tem não tem companhia, beije o próprio espelho.
Certezas que fogem

Quer ouvir uma verdade? Tem coisa que machuca a gente de um jeito intenso e que, ao invés de melhorar, faz arder e queimar, deixando em carne viva. Uma das coisas mais importantes para mim é enxergar o outro. Antecipar as necessidades, talvez. Seja com um carinho, um beijo, uma palavra, uma atitude, um abraço, um silêncio, um grito. Até mesmo um berro é importante, tirar de dentro o que corrói os sentimentos, se expor, demonstrar, fazer. O tempo passa, as coisas vão se ajeitando, tudo vai sendo esquecido e o egoísmo impera. Não sou a toda poderosa, também sou egoísta. Mas procuro, até demais, olhar para quem está ao meu lado e tentar entender o que acontece dentro da pessoa. Profunda? Sim, muito. É tanta profundidade que cansa, me cansa, te cansa, cansa o universo. No meio disso, tento ser mais rasa, mas descubro que sentimento tem que ser profundo, senão não sobrevive.

Seria um erro esperar mais? Mais compreensão, mais doação, mais paciência, mais cuidado com o que sai da boca, mais emoção, mais verdade e menos palavras soltas e fogo de palha. Era para ser tão simples, afinal, a vida não é difícil como dizem nos livros. O ser humano não é tão complexo quanto alguém inventou um dia. Somos bichos, não somos? Agimos por instinto, fico me perguntando: será que é uma pena termos sentimentos? Porque somos julgados a toda hora por isso, por sentir. Por ser. Por amar. Não sei se eu sei amar direito. Talvez não saiba, mas existe uma forma certa, um jeito certo de amar? Talvez fosse melhor não ser tão inteira. Mas eu seria eu? Talvez, talvez eu fosse um eu-sem-sentimentos. Tudo se resolveria, estaria aí a grande chave para a felicidade? Não ter sentimentos, apenas deitar nos embalos divertidos da vida, sem responsabilidades, sem prestar contas com a consciência, sem nada de nada: apenas diversão, sorrisos, alegria. O que me faz bem permanece comigo, o que é ruim eu tento sufocar e se não der, babaus, jogo no lata de lixo mais próxima. Fim.

Quer me magoar? Diga que não sabe, adie, esqueça, diga que não tem certeza. Eu descobri: palavra para mim é coisa quase sagrada. Não que eu seja santa e imaculada, não que você seja sujo e imprestável. Mas procuro pensar bem antes de machucar. Prefiro ter conversas sérias olhando no olho. Prefiro entender que se algo é importante para você, vamos resolver, vamos falar sobre isso. As coisas não se resolvem pegando só o lado bom. A vida não é uma garrafa de Coca-Cola ("viva o lado bom da vida"). A vida, muitas vezes, é uma garrafa de uísque bem xexelento.

Tem gente que confunde as coisas. Não sou uma boneca, a gente não vai brincar o tempo inteiro, não posso ir para o quartinho de brinquedos, não pode me guardar no armário, não dá para me colocar na estante e pegar quando quiser. Eu também confundo as coisas. Ninguém sente igual a mim, ninguém gosta de tudo muito claro e transparente, às vezes as pessoas só querem viver. Sem porquês. E eu penso: por que questiono tanto? Não seria mais fácil ficar quieta e nadar de acordo com as ondas? Pode ser. Mas não consigo prender a respiração por muito tempo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

UM MAIS UM


Sempre me achei diferente de todos. Não, eu não me sentia mais especial que o resto da humanidade. Me sinto diferente porque sempre senti diferente. Falo de intensidade e sensibilidade. Sofri um muito, aprendi em dobro. Descobri que a gente nunca deve insistir em quem só aprendeu a subtrair.

A soma sempre me atraiu. E vamos combinar: é bem mais fácil somar que diminuir. Para diminuir eu conto nos dedos. Para somar também, é verdade. Mas na hora de somar nada falta. Posso pegar os meus 20 dedos, objetos, dedos imaginários e até mesmo o do vizinho. Para subtrair, nananinanana. Tenho que me virar nos 30, ou melhor, nos 20. E se ficar faltando, o problema é todo meu. Por isso prefiro somar. Já viu que todas as coisas boas chegam em pares?

Meias, por exemplo. São duas. Pijamas precisam da parte de cima e de baixo. Tênis. Scarpins. Sandálias. Botas. Cremes. São sempre muitos, soma infinita. Shampoos. Maquiagens. Plural. Mais de um. Soma. Mais. Cartões. Canetas. Bloquinhos. Caderninhos. Bolsas. Calcinhas. Blusas. Calças. Saias. Amigos. Pais. Bichos. Almofadas. Tudo é somado.

Alguém disse que uma pessoa precisa de outra para ser feliz. Um dia acreditei cegamente nisso. Precisa. Hoje, distante da solidão dolorida e insucessos amorosos constantes, que somavam e se multiplicavam, eu digo que não acredito mais. Uma pessoa não precisa de outra para ser feliz. Porque uma pessoa precisa, isso sim, descobrir a felicidade sozinha. (Saber tudo o que gosta e o que pode ser descartado. Isso a gente só aprende sozinho. E isso ninguém pode nos tirar.) Precisa curtir momentos a sós, com os amigos, com outras bocas, com diferentes rostos. Todo mundo precisa disso. Precisa conhecer e sentir toda a liberdade que a solteirice dá. Mesmo que a solteirice pareça monótona, chata e mesmo que, no fundo, a gente sempre busque um grande amor. Acho que o amor não tem muita explicação, a não ser a seguinte: a gente precisa estar preparado para a chegada dele. Porque é difícil, é muito difícil amar. E dói. Não pense que ao encontrar o amor da sua vida os dias se transformarão em delícias sem fim. Dói. O amor de verdade dói. Ele arranha. Você fica com medo que um dia o sentimento te abandone. Isso causa dor. Dói. Eu insisto: dói. Não é um mar de rosas, depois que passa a fase inicial e você conhece os defeitos de trás para a frente, dói. É uma dor doce. Mas você não precisa da outra pessoa. Você gosta de como ela te abraça, te entende, te ouve, te beija, te olha. Você acha bonita a forma como ela mexe a colher dentro da panela, amarra o sapato, segura o guarda-chuva, tosse, liga a televisão. Só aquele tom de voz te tranquiliza, só aquele abraço te salva do caos de uma semana infernal. Você tem consciência que existem outras coxas, peitos, braços, pernas, olhares e cérebros no mundo. Você sabe que existem outras pessoas bonitas, atraentes e cheirosas no planeta. Mas só aquela te deixa com tesão. Tesão por tudo. Pela vida. Pela crença no amor de verdade. Pela vontade de juntar as escovas de dentes e as meias na gaveta. Pela magia que o amor traz. Pela rotina que o amor traz. Pela chatice que o amor traz. Porque o amor também é chato, um legítimo velho resmungão. O amor também é cheio de tédio. Mas se você sente que só aquela pessoa vale e merece essa dor que acompanha o amor, então é porque você ama com tudo o que você pode. E, aí sim, é que você está completamente livre. Livre para ser quem quiser. Para fazer o que tiver vontade. Para exercitar a sua solidão. A dois. Somando. Fazendo crescer.

Gosto de pessoas e amores inteiros. Porque não sei me dar pela metade nem por partes. Eu transbordo. E se você também for do time que transborda, vem pra cá.

sábado, 12 de setembro de 2009

Ao pé do ouvido.


Existe uma coisa dentro de mim que nunca dorme ou cala a boca. O sono bate, eu deito, penso que a noite vai ser boa. Ela, de fato, é. Mas antes de ser, algo sempre acontece. São eles, meus pensamentos. Sem trégua, férias, intervalo, hora do lanche. Eles me acompanham até na hora de escovar os dentes. Converso, jogo carta, passo a mão em cada cabeça.

Tenho a mania da mão na cabeça. Gosto de passar a mão nos cabelos dos meus queridos. Os meus queridos são as pessoas que me são queridas. Só isso. E para ser um querido meu nem precisa muito. Um sorriso e me ganhou. Mentira, antes eu era boba. Eu vivo repetindo pra mim tá-aprendendo-tá-aprendendo. Queria muito aprender, mas não dá. Basta a pessoa contar uma história triste que eu digo senta aqui. Desde pequena, não tem jeito. Me olhou com cara de cachorro sarnento e eu fico com dó.

Juro que preciso aprender muito da vida ainda. É que antes era tão bom. Essa coisa de vamos ser adulta é muito chata. Não confia em todo mundo, nem todo mundo é teu amigo. Tá legal, tá legal, já ouvi. E já quebrei a cara também, você sabe, e eu ainda guardo cada marquinha. Só que elas são externas, não sei ter marca lá dentro. Cicatrizes existem, quem não têm? Mas o rancor não mora aqui, eu garanto. Passou e pronto. E se ainda tá amassado, a gente sacode, disfarça e tudo fica bem.

Não aprendi a ter raiva. Me faço de durona, entende? Falo palavrão, digo que ah, essa desgraçada vai ver, vai ter, vai, vai. Mas assim como você não é Escola de Samba de São Paulo, eu não sou a vilã da jogada. Se precisar de uma mão na cabeça, senta aqui.

quinta-feira, 19 de março de 2009




Às vezes a vida fica difícil, preciso lembrar disso. Duas coisas me fazem perder a paciência e a crença na melhoria contínua da espécie: a burrice e a falta de sensibilidade. Não que eu seja O Primor Da Inteligência ou A Pétala De Rosa Em Forma De Gente, mas meu QI é acima da média e eu choro com uma simples mensagem no celular. Me pergunto como, como, como pode alguém ser tão animalescamente estúpido?!? Animais, me perdoem, conheço alguns muito inteligentes. Os macacos, por exemplo, colocam comidinha na boca e se estapeiam. Juro, uma vez eu vi um macaco dando tabefe em uma macaca. Coisa boa com certeza ela não fez. E a minha cadela pega o jornal. E ainda por cima balança o rabo, feliz com sua vida canina de sombra, ração e água fresca. Eles gostam de agradar os donos, fazer vontades. Coisa boa ter cachorro. Depois de um dia péssimo, lá estão eles prontinhos para nos trazer alegria e vida, muita vida. Não há dinheiro que pague o olhar doce de um cão. Ou uma lambida bem no meio da cara quando o mundo parece não fazer o menor sentido. É, eles sentem. E, mais uma vez, querem nos agradar com carinhos lambidais. Coisa linda.Volta e meia falo sem pensar, meia e volta falo o que não devo, tenho A Síndrome Da Falta De Filtro, ligação direta entre pensamento e voz. Ops, escapuliu. Vezenquando fico insensível, dura, rocha, ríspida. Logo passa. Me dou conta, o coração derrete, me desculpo, abraço e tudo fica bem. Um mundo de abraços, quando o próprio mundo ameaça escorrer feito água em direção ao ralo. O ralo. É difícil limpar ralos da mesma forma que é difícil limpar a vida. Filosofias demais, eu sei. E olha que tô tomando suco. Deixa pra lá então. Só quero dizer que às vezes fica difícil e me dá uma vontade danada de esganar gente burra, estúpida, crápula, insensível e tonga. Pronto, falei.Não acerto sempre e erro muito. Muitas vezes, Cagalhona De Carteirinha, o medo toma conta e penso será-será-será-que-consigo? Receber nãos nunca fez parte do roteiro da minha vida. Tô acostumada com sins, talvez por dizer tantos. É difícil pra mim dizer não. Não estou acostumada com o Não. E penso, é, o Não não tá com essa bola toda, ele não pode me impedir de nada, sai da frente, Não, tô passando. É que às vezes a vida fica difícil, não entendo. A modesta e convencida verdade é que ando me achando peça rara demais em um mundo feio. Feio e lotado de gente burra e insensível. Por Deus, aprendam! O que vale é o simples e não carro e grana e lugar vip. Lembrei de uma música "já tive carro e grana e um monte de convites pra qualquer lugar... hoje eu só ando a pé, mas eu continuo a andar". Concluo: sensibilidade e inteligência andam juntas. É por isso que me visto de paciência dia após dia. E "vou sobrevivendo sem um arranhão".(Clarissa Corrêa)